terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Vidas falsas

 Quais são as tuas verdades? No que você realmente acredita? Em quem você confia?
Perguntaram-me como existem pessoas que são enganadas descaradamente, e eu apenas respondi: “o povo é burro”. Não disse que sou mais esperto que um ou outro, nem digo que sou melhor, apenas digo que existem pessoas que acreditam na massa, acreditam e vivem pelo que todos vivem, tem como verdade aquilo que lhes foi contado, não duvidam, não criticam, não pensam. Apenas “engolem” a verdade que a massa lhes apresenta.
 Não me dirijo à religião e crença apenas, mas á tudo. Grande parte, a maior assim por dizer da população não tem capacidade critica e auto-instrutiva e muito menos opinião própria. Vestem o que a massa veste, cantam o que a massa canta, vivem como a massa vive. São moldados pela mídia e vivem pela popularidade.
 São acomodados, aceitam qualquer verdade, olham apenas um lado da moeda, acreditam em meias verdades, lutam por falsos profetas e sorriem com falsas piadas. Muitos reclamam da violência, do governo e do preconceito. Reclamam da falta de infra-estrutura e da falta de comprometimento. Mas não param para avaliar, não buscam melhorar. Apenas sabem rir das falsas piadas e se contentam com a vida dos outros, das mentiras e fofocas da televisão. Não lêem, não criticam, não pensam e não mudam. Preocupam-se mais com a vida de artista do que com as contas dos Deputados, o futebol é mais valorizado que o ensino e o aprendizado. Fazem graça com os próprios governantes que um dia eles mesmos elegeram. A educação dos filhos é menos importante que os festejos de carnaval, São João e Natal. A violência tem mais ênfase que a falta de infra-estrutura na escola.
 Fácil é aceitar o mundo como ele é, fácil é criticar um mundo que não transformamos, fácil é ter medo daquilo que não temos vontade de mudar, fácil criticar quem não conhecemos.
 E você? Quais as suas verdades? Quais tuas escolhas? Quem são teus profetas? Este mundo é seu e a vida é tua, eu não posso te obrigar a mudar, mas você pode transformar o mundo junto comigo! Não precisa ser um “super homem”, basta cuidar de como e onde você vive. Basta pensar no futuro como uma resposta do presente. 


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Palavras compostas pelo vento…

  Quando a chuva cair, nela vou dançar e deixar cada gota tocar meu corpo e limpar minha tristeza.
  Quando a noite chegar, nela vou caminhar e acompanhar o breu noturno me esconder.
  Quando o amanhecer florescer em minha janela…

…talvez eu grite, chore ou talvez apenas cante. Mas com certeza vou abraçá-lo. Abraçar o calor sombrio de uma manhã de outono ou a escuridão pálida de uma manhã de primavera.

  O beijo do amanhecer, o abraço do luar, o sabor da chuva, o cheiro do outono e o sorriso da primavera. Nada pode substituir uma prece no silêncio da alma. Nada será igual. Tudo se completa e transforma.
   Hoje tive vontade de gritar, mas não o fiz. Por quê? Não sei responder. Tive vontade de correr, mas permaneci imóvel. Tive vontade de chorar, mas meus olhos mantiveram se secos. Somos únicos e passageiros em um mundo que continuará com ou sem nós. Mas se partirmos, o mundo de alguém não terá razão. Se você partir sem mim, por que ficarei aqui sem você?
 …

                                                                                                                     Jean Michel Laureth


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Rosas, ou tulipas amarelas?

 É muito interessante como pequenos acontecimentos ou lembranças nulas em nossas mentes podem causar muita dor e tristeza no momento que você menos imagina. O fato é que vivemos, crescemos, aprendemos e amamos através do nosso passado. Somos marcados por lembranças e emoções, por boas e ruins, agradáveis e terríveis. Somos frutos do que lembramos, mas somos principalmente frutos do que tentamos esconder.
  Não importa quanto tempo passou ou quanto tempo demorou há esquecer. Um dia nosso passado retornará para nos atormentar, um dia ele voltará na calada da noite como ladrão e nos derrubará, ele nos colocará na defensiva e arrancará lágrimas de nós. Sabe por quê? Porque é o nosso passado, é resultado de nossas vidas, é algo que não pode ser desfeito, por que o passado pertence a nós e somente o que é nosso pode ser usado contra nós.
  E ele se torna mais forte quando foi esquecido, quando por muito tempo você lutou para esquecer e por fim achou que tinha alcançado a vitória sobre seu passado, suas lembranças, sua dor. Quando o passado tem sabor frio e amargo é muito mais difícil de ser esquecido ou apagado da mente, e quando por fim se consegue adormecer de corpo e espírito, quando algo que se sobrepõem a este sentimento sombrio, você não lembra mais o que te fazia chorar e esmorecer, você não procura lembrar-se daquele tempo que agora não passa de mais um tempo, nem bom e nem ruim. Mas é somente por um curto espaço de tempo.
 Quando tudo não passa de cinzas e na verdade você não consegue mais lembrar por que lutou para esquecer, quando o passado já não causa dor e nem faz diferença. É exatamente quando ele retorna para te assombrar para te fazer cair e chorar. Ele não te manda cartas e nem avisa, ele não vem de malas e nem para ficar, ele vem apenas por um momento, por uma única estação, vem para te atormentar. Não vem com grandes lembranças ou com lindos poemas, ele vem com uma palavra, ele vem com rosas.
  Não há fim para o passado, ele já se foi. Foi gravado e sepultado, foi marcado e esquecido, foi ontem, mas retornará amanhã. Não pode se esconder ou fugir, podemos apenas esquecer-se dele, mais uma vez.

                                                                                                                         Jean Michel Laureth