quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O amanhã será nosso

 Saudade, doce saudade. A saudade não é apenas uma sensação ou um pensamento. Saudade é doce ou azeda, tem cheiro e sabor. Saudade tem temperatura. É quente, mas também pode ser fria e às vezes, até sombria por demais. Um homem com saudade tem olhos úmidos, tem a boca seca, tem o pensamento distante. Saudade não tem idade e nem mesmo data, saudade pode se resumir a um minuto, ou a uma vida inteira. Saudade tem sabor doce quando é o amor que te completa, mas também é amarga quando se resume a um arrependimento, a um momento que não voltará. É amarga quando se torna o passado esquecido e a lembrança esmagadora.

 Toda nossa vida, o presente é o reflexo do passado, é o resultado da saudade, da vontade de ter mais uma vez o que foi bom, ou a resposta da mudança de uma lembrança sombria e dolorosa. Sempre nos acompanhará e trará consigo marcas, boas e ruins, felizes e tristes. Não podemos fugir e acima de tudo não podemos nos esconder de nós mesmos. O mundo pode não saber, mas a saudade, o passado, a lembrança caminhará contigo, gravada e reprisada em sua mente.

 A diferença está no agora, no presente, no hoje. Se tornar teu “agora” bom e único, será uma lembrança doce e terna, mas se plantares ódio e dor, raiva e vingança, as únicas lembranças que terá serão marcadas de dor, frio e amargura.

O hoje pertence a nós e somente a nós. O amanhã será nosso, mas será apenas amanhã.
                                                                                                                                 
                                                                                                                           Jean Michel Laureth


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