segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Frascos de "amor"

 Havia um casal, era o casal perfeito, um completava o outro, era indiscutível o amor entre eles. Um dia ela pediu até onde ele iria por ela, e ele sorrindo disse: Vou aos quatro cantos do mundo por ti! Ela sorriu e o beijou, beijou com palavras nos lábios, eu te amo, e vou te amar em qualquer lugar!

 Em pouco tempo ele partiu, foi em busca de algo. Partiu sem rumo mas com um propósito, começou a andar e conhecer novos lugares e novas pessoas, novas experiências e vivências. Conheceu novas línguas e novos costumes. Por cada lugar que ele passava colocava em um recipiente um pouco de terra, fechava-o e de olhos fechados orava: "ao meu amor, dos mais distantes lugares leve um pouco de terra, cada grão á de ser a medida do meu amor, um amor eterno e infindável". Por muito tempo essa foi a busca dele, tinha os mais variados frascos de "amor", tão diferentes um dos outros como o amor pode ser. E quando já havia andado e coletado inúmeras porções de "amor", olhou para o céu e quando olhou para lua sentiu com que deveria voltar e como em um sonho entregar os quatro cantos do mundo ao seu amor, beijá-la e dizer eu te amo.

 Agora com a mochila cheia de terra, de tantos lugares que nem ele podia contar, voltava para casa, voltava para os braços de seu amor, voltava para os lábios daquela que foi a razão de tudo. Agora perto de casa não podia mais caminhar, corria, e no peito mais forte que o coração a saudade batia forte. 

 Quando chegou na porta com um suspiro de tarefa comprida, olhou para a porta e estava trancada, buscou esperança em alguma janela, mas todas se fechavam para sua angústia. Foi quando viu alguém se aproximar, ao longe, era um rosto conhecido, mas não tinha o mesmo brilho. Era uma lembrança perdida nas sombras. Aquele rosto cheio de lágrimas olhou em seus olhos, o abraçou e disse: "ela sabia que você voltaria com cada porção de amor que prometeu, mas não foi o suficiente… Hoje ela se despede de nós".

 Em lágrimas e em dor tão profunda como a morte, ele encontrou a última morada de seu amor. Olhou para o céu, e derramou cada porção de "amor" com tanta dor que as lágrimas transformaram tudo em uma única suplica, um único grito de sofrimento.
O amor não precisa ser provado, mas deve ser sentido. Não se preocupe em buscar "porções de amor" nos quatro cantos do mundo, mas deixe seus olhos se encontrarem aos dela, seus lábios tocarem os dela, e assim provar que amor não é medido nem encontrado, mas sim compartilhado e sentido a cada momento.
Ame hoje, viva junto hoje. Amanhã de nada valerá depositar a terra sobre um túmulo frio.
                                                                                                                       Jean Michel Laureth

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